CM de Coimbra e Comunidade Judaica de Coimbra celebram o Hanukah, a Festa das Luzes

Sra. Lilly Abraham, presidente de la comunidad judía de Coimbra, Sr. David O. Abraham, Presidente de la Red de Comunidades Judías CASEI y el Sr. José Manuel Silva, Presidente de la Cámara Municipal de Coimbra.

Coimbra vai ter sua primeira cerimónia de celebração pública do Hanukah, também conhecido como Festa das Luzes, com a presença de um candelabro de nove braços (hanukiah) até dia 25 de dezembro, na exposição “Judeus de Coimbra”, localizada no Pátio da Inquisição. A iniciativa vai contar com um momento simbólico para “acender as velas” do hanukiah já no próximo domingo, dia 18 de dezembro, pelas 16h45, com a presença do presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, José Manuel Silva, e do presidente da Comunidade Judaica de Coimbra (CJC), David Abraham.

De forma a dar continuidade ao espírito de tolerância e de cidade aberta que pauta a atuação do atual Executivo, a CM de Coimbra vai associar-se à iniciativa da CJC para assinalar o “Natal Judaico”, com a presença de um candelabro de nove braços (hanukiah) até dia 25 de dezembro, na exposição “Judeus de Coimbra: Da tolerância à perseguição – Memórias e Materialidades”, localizada no Pátio da Inquisição.

De forma simbólica, o presidente da CM de Coimbra e o presidente da Comunidade Judaica de Coimbra vão acender a primeira vela do candelabro de nove braços, conhecido como hanukiah, para marcar o início do Hanukah, a Festa das Luzes, também denominado como “Natal Judaico”. José Manuel Silva e David Abraham juntam-se no próximo domingo, dia 18 de dezembro, a partir das 16h45, no espaço expositivo dedicado aos Judeus no Pátio da Inquisição, para este momento repleto de simbolismo. O hanukiah vai estar presente no espaço durante oito dias, sendo que a cada dia se acende uma vela (de forma remota), até que todas estejam acesas, marcando, assim, o término da celebração.

O presidente da CM de Coimbra recorda que a cidade, que foi a primeira capital do Reino de Portugal, teve uma das primeiras comunidades judaicas do país, reconhecida e protegida pela coroa portuguesa, e que a organização de uma nova comunidade sefardita na cidade muito contribui para o “enriquecimento cultural de Coimbra”. “Volvidos quase 900 anos, de vicissitudes várias, desde o testemunho documental que atesta a presença de uma judiaria na cidade, foi com satisfação que recebemos a notícia de que uma nova comunidade seguidora da Lei Mosaica se instalou em Coimbra, contribuindo para a diversidade étnico-religiosa e espírito de tolerância que faz da cidade um verdadeiro ponto de encontro de crenças e povos oriundos das mais diversas partes do Mundo”, justifica José Manuel Silva. “A instalação de um hanukiah no coração da cidade, num local de profundo significado, seja exemplo desse espírito aberto e fraterno com que todos nos identificamos, numa época que simboliza paz, harmonia e reconciliação”, acrescenta o presidente da CM de Coimbra.

Como Hanukah, na sua origem, foi a vitória da restauração da cultura judaica, para o presidente da Comunidade Judaica de Coimbra, David Abraham, a importância desta festa é a não-assimilação do povo judeu ao longo de séculos, também em Portugal, que se mantiveram fiéis ao Judaísmo, apesar das cruéis perseguições. “A Comunidade Judaica de Coimbra nasceu para reconhecer a história das vítimas da Inquisição Portuguesa, que foram obrigadas a mudar de nome e de fé. Assim, a celebração pública do Hanukah neste espaço, o Pátio da Inquisição, ganha ainda mais relevância”, explica David Abraham. “O nosso desejo é funcionar como um ponto de resgate para quem sentir necessidade de se aproximar de seu passado e também construir um presente e um futuro de respeito e união”, acrescenta o presidente da CJC.

O que é hanukah?

Em hebraico, a palavra Hanukah significa “dedicação”, pois a festividade comemora a vitória da luz contra a escuridão, a preservação do espírito de Israel e a liberdade religiosa.

O Hanukah é a celebração da luta pela não-assimilação e é sempre comemorado no dia 25 do mês de Kislev que, no calendário gregoriano deste ano, corresponde ao dia 18 de dezembro. Como é costume judaico, as celebrações têm início sempre antes do anoitecer.

Origem?

O rei helenístico Antíoco IV Epifânio profanou o Segundo Templo em 167 a.C. e introduziu uma escultura do deus grego Zeus, proibindo os judeus de respeitar a sua fé, observar o Shabbat, estudar a Torá, entre outros.

No entanto, um grupo liderado por Judas Macabeu (com os seus cinco filhos e outras pessoas) lutou para preservar o Judaísmo e retomou o templo. Quando os Macabeus retomaram o templo, em 164 a.C., foi necessário purificá-lo, mas só tinham óleo para um dia. Houve o milagre divino e o óleo durou oito dias, sendo, assim, chamado de Festa das Luzes.

Por este motivo, a celebração dura oito dias e a cada dia acende-se uma vela, da esquerda para a direita, até que todas sejam acesas, marcando, assim, o término da celebração. O hanukiah é colocado num lugar visível nas casas e em locais públicos.

Sobre a Comunidade Judaica de Coimbra

A Comunidade Judaica de Coimbra foi fundada em 2019. Os principais objetivos da CJC são o reconhecimento das memórias das vítimas da Inquisição Portuguesa, a renovação da vida religiosa judaica e a preservação da história e cultura judaicas em Coimbra.

A Comunidade Judaica de Coimbra é apoiada pelo Laboratório de Estudos Judaicos da Universidade de Lisboa. Descendente de vítimas da Inquisição, o diretor e fundador do Laboratório, António da Costa de Albuquerque de Sousa Lara, é também o Presidente de Honra da CJC.

Perasháh Ki Tetsê 5781

פניני היהדות

Pérolas do judaísmo

Ki Tetsê

O abismo entre as gerações
“Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe” (Deuteronômio 21:18).

O problema nos é bem conhecido: a fossa que se instaura entre pais e filhos. A Torá descreve esta situação de uma forma direta e o texto continua: “Castigado, não lhes dá ouvidos”. A Torá não precisa em que consiste a desobediência do filho. Ela se manifesta nas ruas, consiste em andar com más companhias, em tomar drogas e consiste em levar uma vida completamente sem estrutura? Nós não sabemos quais são os motivos que invoca o “filho rebelde” para justificar sua recusa de obedecer aos seus pais.

Podemos supor que o filho em questão não fica inativo. A juventude é, em geral, calorosa e pode ser que este filho não tenha escondido suas reivindicações contra o mundo de seus pais e contra sua forma de pensar, reivindicações que não lhe permitem aceitar seus conselhos e seu estilo de vida.

Antes da passagem sobre o “filho rebelde”, a Torá nos fala de “um homem que tem duas mulheres, um a quem ama e uma a quem odeia, a uma e a outra lhe deram filhos” (Deuteronômio 21:15). E retornando mais atrás no texto, ouvimos falar do guerreiro que fez prisioneiros, e entre eles, “uma mulher formosa” que ele deseja e quer desposar.

Os numerosos comentadores da Torá consideram o conjunto destes casos como uma corrente de reações sociopsicológicas. Quando o desejo carnal provoca um homem a desposar uma mulher que não lhe serve, compreende-se que uma família assim formada se torna um cadinho onde são misturados o amor e o ódio. É de uma família como esta, onde o amor verdadeiro não reside, que se arrisca de emergir o “filho rebelde” de nossa parashá.

Contra a fossa que separa as gerações, a Torá propõe uma medida severa. Os pais deste filho o deverão condenar publicamente perante os anciãos da cidade: “Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão” e a punição é proclamada imediatamente: “Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra, assim eliminarás o mal do meio de ti, todo o Israel ouvirá e temerá”.

Uma solução tão extrema assim parece estar fora de proporção, não somente aos nossos olhos, mas também aos olhos dos sábios da “Mishná” e do Talmud. Isto é dito de forma explícita pelo Rabino Shimon, um mestre do século II: “O filho contumaz e rebelde nunca existiu e não existirá jamais no futuro” (Sanhedrin 71a).

Nós somos os responsáveis. Nossos sábios não puderam colocar somente no filho a responsabilidade sobre a situação em que ele se encontra. Uma geração revoltada pode apenas ser a consequência da sociedade onde ele está e onde foi educado. Esta é a razão por que nossos mestres retomaram esta passagem, palavra por palavra, se aplicando para limitar de forma draconiana as condições dentro das quais os pais podiam acusar publicamente seus filhos e exigir sua condenação.

O Rabino Yehuda declara: “Se sua mãe não era digna de seu pai, não se trata de punir o filho rebelde. Se um dos pais é aleijado, ou cego, ou surdo, ou mudo, não se punirá o filho rebelde, pois está escrito: e o pegarão seu pai e sua mãe “algum de seus pais não pode então ser aleijado; “e eles o farão sair” e, portanto, se trata de um pai beberrão; «e eles dizem: “seus pais não podem ser mudos, etc. (Mishná Sanhedrin, cap. 8, mishná 4).»

O Talmud Babilônico, por sua parte, desenvolve ainda uma lista de casos que impedem de qualificar um filho como rebelde: “Se sua mãe não é digna de seu pai por causa da força de sua voz, altura e figura – não se pode declarar “filho rebelde” (Tratado Sanhedrin 71a).”
Compreende-se que, com este gênero de limitações, é, na realidade, impossível de qualificar uma criança de “rebelde” no sentido de nosso versículo. Mas mesmo assim devemos compreender que o versículo nos oferece uma advertência. Ela nos lembra que uma geração de pais é suscetível, sem se dar conta, de fazer nascer uma geração de “filhos rebeldes”.

Como disse a Mishná, não se pode condenar uma criança cujos pais são “aleijados”, ou seja, que eles se comportam como se fosse impossível a eles levantar um dedo para melhorar a qualidade do meio onde vivem seus filhos. Não se pode acusar as crianças de pais que são “beberrões”, ou seja, que são incapazes de ir ao encontro de seus filhos, sobretudo se isto implica em renunciar aos seus próprios prazeres.

Como acusar um filho do fato de seus pais serem “mudos” ou “cegos”, pois fecham os olhos ou preferem não dizer nada quando são confrontados com os problemas que assolam seu filho, preferindo se deter do que agir quando ainda há tempo?

Última observação: não se pode acusar um jovem de se deixar “enlamear” quando seus pais são “surdos”, ou seja, que eles não ouviram, ou não querem ouvir, sua demanda quando tentava obter mais atenção de sua parte, mais compreensão e amor.

De acordo com a Mishná, só se pode acusar um filho e o condenar se existe um certo grau de harmonia entre os pais “do ponto de vista da voz, da aparência e da altura”. De outra forma, ela diz que se deve certificar que os pais não falam ao filho com duas linguagens divergentes, eles devem ter a mesma concepção do mundo e que tenham tentado, juntos, de partilhar com seu filho, sem ceder às influências e tendências da sociedade e sem colocar suas próprias necessidades em primeiro lugar.

Deve-se reconhecer que não é fácil encontrar hoje em dia casais de pais que respondam a estes critérios e nós entendemos por que nossos mestres chegaram à conclusão de que “o filho rebelde nunca existiu e jamais existirá”.

Pensamento da Semana

Disseram nossos sábios…
«Um Tsadik não reclama por não haver fé no mundo… ele adiciona fé. Um Tsadik não reclama por não haver justiça no mundo… adiciona justiça. Um Tsadik não reclama por haver maldade no mundo… ele adiciona bondade»
HaRav Avraham Itschak HaCohen Kook, ZT»L
Shabat Shalom Umeborach

שבת שלום ו מ בו ר ך

פניני היהדו ת